quarta-feira, 3 de maio de 2017

Mesa Redonda "A venda de São Paulo como política pública: radicalização da cidade como negócio"

Evento confirmado para dia 08/05/2017 (próxima segunda feira), das 10:30 - 13:30 no IEA (Instituto de Estudos Avançados) na USP Butantã, sala de eventos.

Foram abertas novas inscrições, é só acessar o link:
http://www.iea.usp.br/eventos/a-venda-de-sao-paulo

Transmissão ao vivo em: http://www.iea.usp.br/aovivo


terça-feira, 23 de junho de 2015


A Editora Contexto apresenta três importantes lançamentos da coleção "Metageografia" do GESP- grupo de estudos de geografia urbana critica radical.

Volume 1. CRISE URBANA
coord: Ana Fani Alessandri Carlos

O espaço é um dos principais objetos de estudo da Geografia. Em sua
complexidade, é mais do que somente aquilo que podemos ver – por exemplo, o lugar onde vivemos – ou simplesmente um ambiente natural deformado pela
presença humana. Pois o espaço é também produto de uma representação social e histórica. É, enfim, uma das obras do processo civilizatório.
Este livro aborda a produção do espaço e o papel da Geografia – no diálogo
necessário com outras disciplinas – na compreensão do mundo moderno diante dos diversos problemas de uma época em crise, na qual o espaço vem assumindo um protagonismo inédito.Resultado de um trabalho de pesquisa e de reflexão (sempre aberta ao debate e a questionamentos), este livro é essencial para professores e estudantes que buscam entender em profundidade o espaço urbano atual. (192 páginas)

Volume 2. "A CIDADE COMO NEGÓCIO"
coord: Ana Fani Alessandri Carlos, Danilo Volochko, Isabel Alvarez.

A urbanização e a produção do espaço urbano são entendidas, na maioria das
vezes, como simples resultantes do desenvolvimento econômico nas cidades.
Nesta obra, o espaço é entendido não mais apenas como matéria-prima e meio
de produção, mas como mercadoria que se valoriza segundo dinâmicas
propriamente urbanas/espaciais e financeiras. Obra voltada para
profissionais, professores e estudantes de Geografia, Arquitetura e
Urbanismo e áreas afins. (272 páginas).

1. THE URBAN CRISIS (ebook- english edition)
coord: Ana Fani Alessandri Carlos

Space is one of the main objects of study in Geography. In its complexity,
it is more than just what we can see - for example, the place where we live
- or simply a natural environment deformed by the presence of man. Since
space is also the product of a social and historical representation. And,
ultimately, one of the works of the civilization process. This book
addresses space production and the role of Geography - in the necessary
dialogue with other disciplines - in understanding the modern world in the
face of a series of problems of a time in crisis, in which space has been
taking on an unprecedented and prominent role. Resulting from a research
project and some reflection (always open to debate and questions), this book
is essential for professors and students who aim to deeply comprehend urban
space today.(235pp)

quinta-feira, 11 de junho de 2015


     O debate acadêmico requer responsabilidade e ética.
Estamos na Universidade de São Paulo, uma instituição pública. Um dos sentidos do público remonta à Grécia de Péricles: "aquele do bem comum". A perda deste sentido tem autorizado algumas ações na universidade que precisam ser pensadas. Junto com o esvaziamento deste sentido da universidade se destitui a história ( a sua, das contradições vividas, das utopias que envolve necessariamente um projeto de universidade que orienta a pesquisa, o ensino, das lutas travadas, das  conquistas,  etc..).
Daqui surgem inúmeros desdobramentos. No mundo moderno, por exemplo, as novas mídias, ao mesmo tempo que permitem a disseminação do conhecimento, se tornaram o lugar aonde afirmações levianas e a difamação colocam em cheque o trabalho acadêmico, o papel da universidade, suas conquistas, a capacidade do professor de criar um curso e de avaliar um aluno. O debate tem se  deslocado, com grandes prejuízos, da sala de aula e dos lugares acadêmcios. O que esta escrito assume foro de verdade desautorizando todas as contextualizações sem as quais a realidade só tem um lado e, portanto passível de ser aplainada, esvaziada, quantificada. A vitória da lógica sobre a dialética!
Meu compromisso, histórico, é com a formação dos alunos aonde a sala de aula é, para mim, o lugar do exercício de liberdade de pensar à partir de várias possibilidades teóricas compreendendo o ato de conhecer como momento crítico e da elaboração da critica. Meu compromisso, histórico, é com a pesquisa como momento/movimento de construção de um pensamento capaz de explicitar e compreender a realidade brasileira  como condição de exercício de  independência frente ao conhecimento produzido "lá fora", sobre nós, e do autocolonialismo que, infelizmente, graça na universidade brasileira. Meu compromisso histórico, é com o  trabalho preocupado com a interpretação do mundo que, certamente, não produz sua transformação mas é um passo importante na desmistificação dos discursos ligeiros, das ideologias, das representações que permeiam a vida cotidiana no mundo moderno  com seus modelos de felicidade e bem estar. Com isso capaz de abrir perspectivas reais para a construção de um projeto de  transformação da sociedade. Penso que a tarefa acadêmica é improdutiva por excelência, repousa no tempo lento da reflexão. Seu comportamento é  crítico; seu compromisso é com a sociedade e não com o mercado. Jamais deixei de aceitar o desafio de pensar o mundo (em sua totalidade) e nossa condição no mundo através e a partir da Geografia, mesmo sendo uma disciplinar parcelar.
Entendo a sala de aula como o lugar dos questionamentos aonde esta posto o desafio e possibilidade do exercício de liberdade como momento de construção de um pensamento sobre o mundo em que vivemos, suas contradições e a condição alienante na qual vivemos submetido ao mundo das imagens, da espetacularização da celebrização. É o espaço de aprendizado  habitado por um tempo que se quer lento. Marcado pela reflexão e pela descoberta que  desfavorece a imitação, o saber “imposto” e “vomitado” nas provas. Preocupado com a apreensão do movimento real dos fenômenos. Lugar  que requer compromissos de professores , mas também dos alunos. Penso que o trabalho na universidade pública contempla uma utopia. “Tudo que ainda não nasceu pode vir a nascer, desde que não nos contentemos em ser simples órgãos de registro”, como escreve Artaud é minha inspiração. Para tanto o pensamento necessita, “ter por teto a vasta liberdade e só pode permanecer no ilimitado"( Victor Hugo).
Esse caminho enquanto possibilidade, foi-me oferecido no Departamento de Geografia ora como aluna, ora como professora.  No DG penso, se leva às últimas consequências o fato de que a Geografia se apresenta como uma multiplicidade possível de abordagens em função de múltiplas visões de mundo e que não há, portanto, uma única possibilidade de entendimento da Geografia (claro que essa situação não se dá, sem dificuldades e alguns desconfortos). Essa liberdade nos move e orienta a pesquisa e é um dos fatores de nossa excelência.
Assim situado, como pensar, entender e analisar, hoje, a metrópole, num momento em que a sociedade urbana se constitui a partir da generalização do processo de urbanização do mundo ? Como a centralidade do conceito de "produção do espaço urbano" permite construir essa compreensão?
Esse caminho se traça no plano da teoria. Colecionar fatos não nos conduz a lugar algum  no que se refere a tentativa de desvendar os conteúdos reveladores do espaço enquanto espaço produto da sociedade. Um amontoado de fotos coloridas, de pedaços de textos retirados ao acaso de livros e teses, de recortes de jornais (como a "instalação montada na sala de aula do primeiro dia do curso) não se explicitam em si. A realidade não aparece aos nossos olhos como ela é, se assim fosse, não existiria ciência, alertava Marx - e não é preciso ser marxista para constatar essa afirmação!! . É cada vez mais atual o alerta de Walter Benjamin que o gosto pelo mundo das imagens se alimenta "de uma sombria resistência contra o saber“.
Esta escrito no PROGRAMA do curso de Geografia da Metrópole ( e esta no blog do curso) desde fevereiro, que teríamos como reflexão inicial as contribuição do curso de " Geografia urbana", afinal os cursos não são gavetas estanques! Assim se elaboraram as questões para os estudantes pesarem: a) existiria uma "Geografia da metrópole" ou uma abordagem geográfica para a compreensão da metrópole? Quais seriam os planos de análise? b) no plano da morfologia e da paisagem urbana metropolitana o que seria específico da metrópole? O que ela condensa ou reúne? Como o cidadão a vê  ou percebe, ou descreve-a?c) como a metrópole aparece na mídia? há diferenças ou convergências? Quais? São reveladoras (do quê) ou ocultadoras ( do quê)?
Consta como conteúdo para a 6ª AULA um debate em grupo cuja tarefa era  partindo dos  dois trabalhos realizados  no curso, das aulas expositivas e das  leituras, refletir sobre:   a) quais  questões poderiam ser construídas no sentido de criar um caminho para a análise da metrópole; b) como estas questões se desdobrariam  em temas de abordagem de um curso de Geografia criando os conteúdos das  próximas aulas? c) elaborar uma hipótese de pesquisa para ser desenvolvida pelo grupo. Estas  seriam apresentadas sob a forma de uma aula de uma hora - cuja sequência, atendendo a um critério acadêmico, foi realizada coletivamente, na sala de aula.
Consta como conteúdo para a 7ª AULA apresentação e debate das hipóteses elaboradas pelos grupos a partir de uma tarefa extra classe de pesquisa bibliográfica capaz de  apoiar o desenvolvimento dos debates do grupo. Cada grupo definiria seu  tema visando a compreensão da metrópole do século XXI  a ser apresentada como uma das aulas do curso.
Consta como conteúdo para a 8ª AULA: primeira parte da aula -  análise e desenvolvimento , hipótese. Segunda parte - debate sobre a pesquisa apresentada a partir da leitura individual escolhida pelo grupo.
Consta ainda no programa do curso entregue nas mãos de cada estudante, no primeiro dia de aula, (e que esta publicizado no blog do curso) algumas observações, dentre elas: 1.Os alunos, interessados em seguir o curso  podem inicia-lo mesmo sem matrícula formal.2. a realização deste tipo de curso, aonde o estudante tem papel ativo preponderante, pede atenção à realização dos trabalhos individuais e em grupo. O aluno deverá estar em sala de aula, 70% do tempo total de duração de todas aulas ministradas e a tolerância de atraso será de no máximo 30 minutos (idem para saídas).
Logo trata-se de  um curso compartido professor e aluno como modo de  construção coletiva de uma compreensão da metrópole - é por isso que cada grupo trabalharia uma hipótese e não uma abordagem de temas ao acaso. Elencar não é conhecer. Citar autores não garante qualidade se os autores não forem interpretados corretamente. A linguagem utilizada deve permitir a explicitação do movimento do pensamento, exprimir os conteúdos da reflexão. Não é um discurso aonde a ideia se completa por um interjeição deixando solto o raciocínio.
 Há, na proposta do curso,  um movimento metodológico importante: a passagem do seminário ( visto como resumos sobre um ou vários autores) em direção a realização de uma reflexão a partir destes autores(escolhidos pelos grupos), guiadas por uma hipótese com potência para construir uma compreensão sobre a metrópole. Insisto a proposta do curso se apoia num trabalho coletivo que tira o aluno do conforto da cadeira para uma participação efetiva na produção da compreensão da metrópole a partir dos conhecimentos adquiridos, até o momento, no curso de Geografia.Portanto o curso de Geografia da Metrópole se apoia num projeto acadêmico. No respeito a formação do aluno. No compromisso com a universidade pública. Compõem um projeto utópico.
Esta proposta esta escrita,publicada, repetida exaustivamente, na sala de aula. Só quem não estava na sala de aula (mas claro, assinou a lista!) quem não leu  o programa do curso ( talvez porque se tratava de um curso apenas para auferir crédito!), pode fazer as observações sobre o curso, que constam em postagem no facebook e enviados para todos os alunos.
A DIFAMAÇÃO não substitui o debate acadêmico. Não contribui a formação do estudante. Desmerece a universidade pública. Torna leviano nosso trabalho. Ignora, impunemente trajetórias de luta. É despolitasador. É a violência (ocultada e, porisso mesmo, não percebida) instaurada no trato da relação professor-aluno.
ana fani
 
 

sexta-feira, 6 de março de 2015


LANÇAMENTO da Coleção Metageografia
 coordenação:  Ana Fani Alessandri Carlos
 realização: GESP - Departamento de Geografia - FFLCH-USP
( Cesar Simoni dos Santos; Glória Alves; Isabel Alvarez; Simone Scifoni; Rafeal de Pádua; Danilo Voloshco;  Fabiana Valdoski,  Savio Miele; Camila Salles, Renata Sampaio)

As análises contidas nesta coleção se desenvolvem a partir da centralidade que a produção/reprodução do espaço urbano desempenha na, hoje, na realização da sociedade capitalista. Em suas profundas metamorfoses, o espaço aponta a realização do capitalismo no plano mundial, como um momento da reprodução da sociedade, que saída da história da industrialização, que permitiu com o desenvolvimento do mundo  da mercadoria, a  generalização do valor de troca- divisão do trabalho no seio da sociedade, o desenvolvimento das comunicações, a expansão da informação -, a redefinição das relações entre os lugares de realização da vida. A extensão do capitalismo no espaço, ele próprio tornado mercadoria, faz da produção do espaço um pressuposto, condição e produto da reprodução social e nesta direção, elemento definidor dos conteúdos da prática sócio-espacial, o que modifica as relações espaço-tempo da vida social, redefinindo contradições e produzindo novas.
O GESP (Grupo de Geografia Urbana Crítica Radical sediado no Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo - USP) reúne diversos pesquisadores em torno do objetivo de desvendar os conteúdos da urbanização hoje tendo como foco de análise os fundamentos que explicitam a desigualdade vivida concretamente no cotidiano da metrópole  tendo como perspectiva a construção de uma “geografia crítica radical”.  
volume 1. A crise Urbana ( 2015)

volume 2. A cidade como negócio ( lançamento maio de 2015)
volume 3. Justiça espacial e o direito à cidade ( lançamento 2016)
volume 4. Geografia: 13 palavras chaves ( lançamento 2016 - título provisório)
versão inglesa :epub / Editora Contexto São Paulo

** sobre a metageografia
A coleção apresenta um caminho para pensar a realidade através e a partir da Geografia imersa na totalidade das Ciências Humanas. Estabelecendo como pressuposto que neste  âmbito a Geografia mergulhou na análise do espaço, o desafio a ser enfrentando é aquele de pensar o mundo e nossa condição no mundo através da compreensão do espaço.
Nossa tese - fundadora de uma metageografia - é que a produção do espaço, como construção social é condição imanente da produção humana ao mesmo tempo que é seu produto. Neste raciocínio, a produção do espaço seria uma das obras do processo civilizatório. O espaço, em sua dimensão real, coloca-se como elemento visível, em sua materialidade, mas também como representação de relações sociais reais que a sociedade em cada momento da história. Na contramão do que apregoam os geógrafos poderíamos construir a hipótese segundo a qual não existiria um “espaço geográfico, mas uma dimensão espacial da realidade, acarretando a necessidade de um modo de entender o mundo através da  compreensão do espaço como produção social (e histórica). O que traz exigências teórico-metodológicas.
Através de cada reflexão individual, o projeto coletivo de desvendar a realidade (a partir do urbano) vai se construindo, prolongando o pensamento de Karl Marx e de Henri Lefebvre, numa orientação teórico-metodológica desenvolvida no Departamento de Geografia da fflch-usp, denominada marxista-lefebvriana, como caminho da construção de uma geografia crítica - radical: a metageografia, para a compreensão do mundo moderno diante dos problemas de uma época, na qual o espaço vem assumindo um protagonismo inédito, na medida em que a reprodução da sociedade capitalista se realiza, hoje, através da produção do espaço. Trata-se de centrar a investigação na dimensão social da realidade, iIuminando momentos da prática social como práxis espaço-temporal.

 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

INTOLERÂNCIA E PRECONCEITO : pelo direto à diferença

Num momento em que se luta pela universidade pública e pela necessidade de um conhecimento crítico sobre nossa realidade e  aquela da educação  brasileira, a situação abaixo descrita nos convoca à reflexão.
A universidade e sua missão só se realizam na reunião dos diferentes, condição indispensável à construção do   conhecimento que move a descoberta. Com preconceito o debate acadêmico e a compreensão do mundo em que vivemos não se realiza em sua universalidade.
A denuncia no caso abaixo é um dos exemplos do preconceito e da intolerância que,  denigre a cena acadêmica brasileira (e que infelizmente não se reduz a este exemplo e nem a esta disciplina) e que nos convoca ao debate:

" É com muita tristeza e indignação que socializamos com todos/as vocês
síntese do parecer da CAPES relativo ao Projeto "Crise do Capital e Fundo
Público: Implicações para o Trabalho, os Direitos e as Políticas Sociais",
apresentado ao Edital Procad 071/2013. O Projeto envolve a UnB, UERJ e
UFRN, 19 docentes, 09 doutorandos/as, 15 mestrandos/as e 27 graduados/as.
Nossa indignação não se refere à não recomendação em si, mas à
justificativa utilizada pelo parecerista: "Projeto afirma basear-se no
método marxista histórico-dialética. Julgo q a utilização deste método não
garante os requisitos necessários para que se alcance os objetivos do
método científico" (…) "considerando a metodologia a ser empregada - cujos
requisitos científicos não tem unanimidade - a proposta pode ser
considerada pouco relevante" (…) "a formação proposta estaria no âmbito do
método marxista histórico-dialético, cuja contribuição à ciência brasileira
parece duvidosa".
No dia 30 de maio, conforme o Edital, impetramos recurso na plataforma
Sicapes. Contudo, o espaço disponível de apenas 5000 caracteres com espaço
não nos permitiu a exposição de motivos que demonstra, em detalhes, o
caráter anticientífico, sectário e desrespeitoso para com as Ciências
Humanas e Sociais, o projeto e seus autores. Por isso, enviamos um
documento de recurso mais detalhado ao presidente da CAPES. Quem desejar
conhecer o parecer na íntegra e nosso recurso, por favor nos solicite por
email (ivaboschetti@gmail.com ou elan.rosbeh@uol.com.br). A equipe de
docentes do Projeto decidiu denunciar este inaceitável patrulhamento
ideológico e tratamento desrespeitoso a todos que adotam o método crítico
dialético, dentro e fora da nossa área. Não se trata apenas de recusar um
projeto, mas de desqualificar qualquer pesquisa fundada nessa perspectiva,
tratada como não científica e desprovida de mérito técnico científico.Neste
momento, nos importa fundamentalmente denunciar esse impropério e defender
veementemente a pluralidade, liberdade ideopolítica e o respeito ao método
dialético marxista, e a todo seu legado científico, que tanto vem
contribuindo para pensar criticamente a sociedade brasileira, a crise
contemporânea e seus dilemas. Vale registrar, também, que nenhum projeto da
área de Serviço Social foi aprovado neste Edital, e que dos 62 aprovados,
mais de 90% são das áreas de exatas e biomédicas.


Abraços da Equipe de Docentes do Projeto:

Universidade de Brasília - Proponente
Ivanete Salete Boschetti - Coordenadora
Evilásio da Silva Salvador
Rosa Helena Stein
Sandra Oliveira Teixeira
Maria Lúcia Lopes da Silva

Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Participante
Elaine Rossetti Behring – Coordenadora
Alba Tereza Barroso de Castro
Marilda Vilella Iamamoto
Maria Inês Souza Bravo
Maurílio de Castro Matos
Mariela Becher
Tainá de Souza Conceição
Juliana Cislaghi Fiúza

Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Participante
Rita de Lourdes de Lima – Coordenadora
Silvana Mara de Morais dos Santos
Andreia Lima da Silva
Maria Célia Correia Nicolau
Severina Garcia de Araujo
Ilka de Lima Souza
Miriam de Oliveira Inácio

quarta-feira, 11 de setembro de 2013


COLOQUE NA AGENDA  

Colóquio de lançamento do livro A CIDADE CONTEMPORÂNIA: SEGREGAÇÃO ESPACIAL ( Editora Contexto)

dia 30 de outubro 2013

local: SALA 9 - prédio de História/Geografia

organização: Prof Ana Fani Alessandri Carlos

dia 30 de outubro

8:30 hs Sessão de abertura: Rita Cruz e Silvana Pintaudi  

9:00 Mesa redonda 1

coordenadora:  Silvana Pintaudi - UNESP

debatedor : Naxhelli Ruiz UNAM/México

  Contribuição para o debate sobre processos e formas socioespaciais  nas cidades

Pedro de Almeida Vasconcelos (UFBa)

Segregação Sócioespacial e centralidade urbana

Maria Encarnação Beltrão Sposito (UNESP)

A Prática espacial Urbana como Segregação e o ‘Direito à Cidade’

como Horizonte Utópico

Ana Fani Alessandri Carlos (USP)

 14:00 hs  - Mesa redonda  2

coordenador:  Pedro Vasconcelos - UFBa

debatedores : Jan Bitoun - (UFPE) e Marcio Pinõn (UFF)

A Segregação como Conteúdo da Produção do Espaço Urbano

Isabel Aparecida Pinto Alvarez (USP)

Loteamentos Murados e Condomínios Fechados. Propriedade

fundiária urbana: base da segregação sócioespacial

Arlete Moysés Rodrigues (UNICAMP)

Segregação, Território e Espaço Público na Cidade Contemporânea

Angelo Serpa (UFBa)

A Abordagem de Segregação Sócioespacial no Ensino Básico de

Geografia

Glória da Anunciação Alves (USP)

 

quarta-feira, 19 de junho de 2013


A luta é urbana, o caminho esta ainda sendo construído

                O urbano é agora a escala do mundo. O que esta posto para o debate como produto da contestação,  como momento em que a luta se impõe como necessidade e desejo (entrando em conflito com a passividade do cotidiano), numa escala mais ampla, é o "direito à cidade", como direito à vida urbana em sua plenitude. E só o debate e a reflexão permitirão pensar os passos seguintes.

                O corpo tomando os espaços construídos para os carros vão revelando os conflitos que estão na base de nossa sociedade. Algumas questões aparecem no horizonte: a) o voto na urna tem justificado, que depois de eleito, o político e o partido podem fazer o que quiserem e como quiserem.  Os partidos políticos fazem alianças sem se preocupar com o que a sociedade pensa, mas em "nome dela". Um minúsculo exemplo revela o modo como se faz política no Brasil: o vice-governador de São Paulo é ministro e não vê nenhum problema nesta atitude, e todos acham normal e pior, acham que é tema para o debate! Seria irônico se não fosse trágico! O exercício de  nossa democracia precisa ser repensada;  b) as ruas - espaços públicos por excelência, mas pensado como lugar dos carros - apontam  indignação e descontentamento com a vida na metrópole e o modo como se constrói o espaço urbano separando moradia do trabalho e lazer. A proposta do "Arco do Futuro" não vai  resolver este problema. Os frequentes processo de valorização do espaço urbano tem afastado os pobres para  periferias cada vez mais distantes,  situação que o projeto vai aprofundar; c) o transporte é apenas um dos direitos do cidadão. Ele precisa morar dignamente, ter acesso a saúde, alimentação. Ele precisa de educação de qualidade e cultura, ao lazer. E acesso ao centro e a centralidade metropolitana! Diretos de ir e vir, num transporte coletivo digno e ubíquo na metrópole que garanta, em pouco tempo, o direito de acesso à vida na metrópole e com horários estendidos. Não se diminui o preço da passagem de ônibus aumentando o IPTU, mas repensando o orçamento e suas prioridades, o modo com o ele se constrói  as alianças que privilegiam os setores imobiliários, as empresas de  transporte, as grandes construtoras, o modo como se abrem os cofres públicos criando infraestrutura e incentivos para a iniciativa privada, sob o discurso de que geram empregos; d) o aprofundamento da  segregação como característica de uma metrópole que se constitui  como negócio passível de ser lida  pela valorização advinda da construção de infraestrutura que abre espaço para novos negócios privados em detrimento dos moradores dos lugares atingidos, posto que expulsam a "população não compatível" (para utilizar um termo corrente no planejamento) nas das áreas renovadas, etc..

                A cidadania não tem por conteúdo a qualidade de vida, nem sem reduz à posse de  bens de consumo. As manifestações urbanas, por excelência, apontam os problemas vividos e, porque urbanas, reúnem uma gama de situações que iluminam os níveis da realização da vida e da necessidade de participação, de forma mais ativa, nas decisões. Portanto o direito de ser ouvido e de participar dos rumos da sociedade como um todo.

Numa sociedade urbana a luta realiza-se  de outra forma e o modo de lidar com ela é não criminalizá-la nem subestimá-la. Estamos adentrando numa nova forma de sociedade que exige uma novo modo de diálogo que é o que esta sendo construído, agora, nas ruas.

                                                                                                           Ana Fani Alessandri Carlos