segunda-feira, 13 de agosto de 2012

sobre a metrópole: um ponto de partida


sobre a metrópole: um ponto de partida


 


A geografia coloca-nos diante da necessidade  sempre renovada de refletir  o espaço , o que significa analisar o modo pelo qual  as relações sociais se reproduzem concretamente, produzindo ou melhor reproduzindo a realidade . O espaço geográfico  produto, condição e meio para a reprodução das relações sociais, no sentido amplo de reprodução da sociedade, reafirma-se enquanto espaço social na medida em que é a realização do ser social ao longo do processo histórico .  No momento atual  a acumulação produz uma racionalidade  homogeneizante inerente ao processo que não se realiza apenas produzindo objetos / mercadorias  mas, liga-se cada vez mais, à produção do espaço à divisão e organização do trabalho, aos  modelos de comportamento que induzem ao consumo e que se revela como norteadores da vida cotidiana.

Vivemos um processo de generalização da urbanização e da formação de uma sociedade urbana onde os padrões de comportamento, o modo de vida, os valores  se constroem enquanto modelos obedecendo a uma racionalidade inerente ao processo de reprodução das relações sociais. Ao lado da tendência à homogeneização, caminha, progressivamente, o processo de fragmentação do espaço e da sociedade. A metrópole, neste contexto,  aparece como um conjunto de imagens fluidas, coberta de outdoors, iluminada pelo néon, como algo estranho e distante, quase como desumano. Ela as vezes parece desaparecer , alguns até falam de uma cidade virtual, percebida,entrevista , dos espaços fechados como aquele da casa. 

A busca do incessantemente novo, como imagem do progresso, transforma a cidade num instantâneo e   torra a  sociabilidade cada vez mais  efêmera. As práticas urbanas são invadidas/paralizadas, cooptadas, por relações conflituosas que geram estranhamento e identidade, isto porque de um lado, a metrópole se constitui eliminando encontro, tragando rituais, eliminando referências, destruindo a memória social ; de  outro lado permite a realização plena dos encontros. Expressão e significação da vida humana , a cidade é obra e produto, processo histórico cumulativo, contem e revela ações passadas ao mesmo tempo que o futuro se constrói nas tramas do presente; contempla uma multiplicidade de formas, temporalidades diferenciadas .

Longe  de desterritorializar-se enquanto espaço virtual  de fluxos e redes cada vez mais densas e articuladas que montam o cenário da pós–modernidade, a cidade se afirma como realidade espacial concreta. É preciso  perguntar-nos o que  existe para além do espaço das redes, dos fluxos? A troca em sua dimensão ampla  não se refere ou se restringe ao plano do intercambio de produtos, ela se refere as bases constitutivas da vida, da constituição da humanidade do homem, de sua universalização. Nem objetivação absoluta nem subjetivação autonomizada da materialidade espacial.

Estamos mais do que nunca diante de caminhos múltiplos de análise que convém refletir . Neste processo  como pensar, entender e analisar, hoje, a metrópole, num momento em que a sociedade urbana se constitui a partir da generalização do processo de urbanização do mundo?

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