domingo, 2 de setembro de 2012


DO DISCURSO À PRÁTICA ....

Muitos foram aqueles, colegas e amigos, que me escreveram apoiando o meu "manifesto solitário". Sinto-me '"muito bem acompanhada", não estou numa posição tão solitária assim, afinal de contas. Tive o privilégio de receber muitas reflexões-informações nestas manifestações.

Tenho consciência que "meu manifesto" aborda apenas um dos muitos problemas que a comunidade acadêmica enfrenta; mas é preciso começar por algum lugar. Atacar a ética produtivista - num de seus pontos nevrálgicos - pode ser um bom começo. E apesar de questionar apenas "uma" de suas atitudes, sua superação só vai ocorrer com um movimento comprometido com o papel social do geógrafo. Infelizmente, a ética produtivista esta muito impregnada - a ponto das pessoas acharem natural. Habitamos, confortavelmente,  o "tempo veloz" aonde produtividade se confunde com produtivismo de forma inconsequente.

Pude depreender das informações recebidas - e não há como, nem porque duvidar delas - que é quase impossível alguém se levantar, publicamente, à favor do tipo de atitude que estou combatendo em meu manifesto. Todavia, na prática, as coisas tem caminhado em sentido contrário (nos bastidores, ainda não ouvi nenhuma justificativa pública). Aonde estão seus defensores, quais os seus argumentos!!  

 O discurso é ambíguo, mas a prática inequívoca.  

Entendo que não podemos continuar fazendo pesquisa, pensando em formar pessoas sérias sem discutir as condições nas quais esse trabalho se realiza. Faz-se necessário que os professores /orientadores posicionem-se em seus programas de pós-graduação, discutam com seus colegas de modo claro. Faz-se necessário derrubar o cinismo.

Penso ser preciso caminhar noutra direção - muitos também acham! A ÉTICA produtivista em suas várias formas denigrem a Geografia e os Geógrafos. 

Não seria o caso de parar e refletir o que a sociedade espera da universidade pública. Qual nosso papel, nosso compromisso? 
ana fani
 

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