sexta-feira, 14 de setembro de 2012



manifesto- a simplicidade de seu conteúdo

 

Muitos querem ver uma complexidade em meu manifesto que ele não tem. Ele não discute as relações acadêmicas, nem nosso trabalho como um todo. Certamente não esperava que todos entendessem meu protesto, também jamais quis ser aprovada por todos. O consenso, a meu ver, pode ser autoritário. Abordo em meu manifesto apenas uma atitude e só uma: de um orientador escrever com seu orientando um texto decorrente, diretamente, da tese ou DM que ele próprio orienta/orientou. Nada além disso! Ele é simples demais, mas esta atitude esta reorientando nossas relações. E essa é a tragédia !

Ele não desqualifica o trabalho do grupo de pesquisa, ao contrário- é sua valorização.
Ele é apenas o questionamento da lógica produtivista. De uma lógica. Não estou me colocando na posição arrogante de analisar meus colegas e seus trabalhos.
Vejamos mais um exemplo das consequências desta ética. Em seminários, congressos, etc, orientadores, ao assinar trabalhos orientados com alunos, "saem com mais de um certificado" ! Não raro aumenta o número daqueles que apresentam mais de um trabalho num único evento; não raro em salas de congressos/seminários encontram-se apenas aqueles que apresentam trabalhos... Muitas ainda esvaziam-se na hora dos debates. A quantidade da participação se faz em detrimento da qualidade do debate que esmorece bem como da profundidade das ideias apresentadas.
Rebatimento na vida universitária: num concurso de ingresso, escolhe-se aquele que tem currículo maior, ou o melhor? avalia-se um programa de pós-graduação pela sua contribuição ao pensamento geográfico ou pela quantidade do que seus professores apresentam em seus respectivos lattes?
Os grupos de pesquisa precisam ser valorizados e a interlocução acadêmica reestabelecida no seu essencial: pela qualidade da reflexão, no debate entre diferentes. Não existe um único caminho teórico-metodológico para pensar a realidade, através da Geografia, esta riqueza que nos faz avançar. O processo constitutivo do conhecimento é coletivo, a história é sua prova. Vamos ver no outro o nosso interlocutor, não nosso inimigo ou competidor. Vamos colocar abaixo preconceitos teóricos, posturas arrogantes. O desafio é, ao invés de nos preocupar com o lattes, mergulhar no debate, construir, coletivamente, uma Geografia preocupada em desvendar a sociedade.

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