sexta-feira, 9 de maio de 2014

Uma contribuição de Fábio Sousa para o debate: Reflexões sobre o capital e o Estado na cidade contemporânea

A necessidade constante do Capital pelo lucro máximo afeta a transformação das cidades e da sociedade – em suas variáveis politica, econômica e social.
Podemos verificar que conforme o capitalismo se transforma, as relações sociais tendem e se debilitarem, numa regra em que o crescimento econômico e a acumulação do capital são inversamente proporcionais ao desenvolvimento social, ou seja, quanto mais se acumula capital, quanto mais ricos se tornam os setores sociais, já ricos, mais pobres se tornam os setores sociais mais vulneráveis.
Uma classe, a do patronato, ou a burguesia, mantem o poder, controlando o território, os bens de produção e as massas que lhes servem de mão-de-obra. O sucesso do capitalismo depende, portanto, desse controle, sem o qual o sistema se vê ameaçado. Esse controle é obtido através da existência e atuação do Estado que favorece a atuação do capital em seu território e sobre sua população. Os territórios são articulados e transformados de acordo com as necessidades dos fluxos de mercadorias e da criação de novos espaços ou a transformação de velhos, de acordo com os interesses do mercado. O Estado é peça fundamental para a manutenção do sistema capitalista, pois é a partir do Estado e de suas normas que a produção das mercadorias se realiza, através de trabalhadores alienados, ou impedidos de se rebelarem por razões políticas ou econômicas, como as ditaduras e ou o desemprego e a miséria, sem prejuízo para o patronato. É também o Estado que regulamenta a propriedade da terra, tanto urbana quanto rural, é ele que limita ou abre concessões, é o Estado que monopoliza as forças militares, e não titubeia em abafar revoltas.
Enquanto impera o discurso capitalista do mérito, percebemos que trabalho e riqueza caminham para direções opostas, pois o exército mundial de trabalhadores, especialmente aqueles dos países do Sul, apesar das duras jornadas de trabalho, de todas as dificuldades para a sua reprodução (moradia, alimentação) impostas pelos baixos salários e encarando a dureza das migrações diárias em sistemas de transporte desumanos – fruto da segregação socioespacial que desloca os pobres para longe dos centros de trabalho – veem suas condições de vida piorarem progressivamente, assim como o espaço social que habitam, enquanto ouvem discursos de superávits e lucros crescentes e consecutivos das grandes corporações internacionais, muitas vezes às quais estes trabalhadores estão associados, através da cadeia produtiva, entretanto, sem que haja o conhecimento dos mesmos.

Finalmente, tentar apontar as contradições, documentar a crueldade, e pensar numa forma de superação dos conflitos das cidades capitalistas são desafios tomados por muitos humanistas, dentre os quais os geógrafos. No entanto, me parece que a nossa maior contribuição é alimentar a crítica na busca pela construção de uma sociedade diferente desta posta, onde não apenas o espaço seja mais democrático, mas também os valores humanistas sejam revisitados. 

Um comentário:

  1. Obrigado por publicar as minhas reflexões...sinto-me lisonjeado e estimulado a continuar pensando as cidades a partir de uma visão mais humanizada.
    Abraço,

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